“Uma das formas de magoar alguém consiste em boicotar sua auto-estima com comparações e frases sarcásticas e tiranas. Ele vai se entristecendo, silenciosamente a cada aquiescência, tecendo a teia em que ele mesmo se perderá.
Noutras vezes, ele grita, despeja os dejetos de sua alma estropiada, em ofensas que buscam responder às grosserias que o agridem.
Assim também ele se perde. Perde-se de si mesmo.”
(Texto escrito originalmente por Alena Cairo em: 12 Março, 2009, escrito aqui com algumas modificações feitas por mim.)
Por mais que se fale em estima por si mesmo, não acredito que esta anule as fragilidades, os sentimentos e as inseguranças em relação a nós mesmos e às outras pessoas que adquirimos ao longo de nossas vivências. As experiências nos ensinam a lidar melhor com as adversidades e podem nos tornas menos vulneráveis à emoções ruins, mas a fragilidade, enquanto resultado de nossa condição de seres finitos, sociais e carentes de conhecimento sobre nossa psique, de uma forma ou outra existirá.
Para mim, os indivíduos menos honestos consigo e com os outros são os que se dizem invulneráveis à ofensas e isentos de “sentimentalismos“. Penso que o discurso dos que assim se classificam não passa de mera sublimação. Até que ponto um ser humano consegue verdadeiramente lidar com o isolamento e a renúncia a qualquer tipo de afetividade e interferência da ação de outros em sua vidas?
“Eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca” (Simone de Beauvoir)