Raphaella Gonçalves

Amor. Amor! Amor? Amor…

Em Fimes e vídeos, outubro 4, 2009 às 7:17 am

Clique em qualquer parte do texto para ver um curta com o título Amor! “Um divertido mas amargo panorama das muitas e diferentes visões que se pode ter do amor”amor

Idealizado, feito sagrado.

Justificativa para a falta de coragem de lidar consigo mesmo e com a solidão existencial.

Felicidade.

Tragédia.

Realização… projeto de vida.

Prisão.

Sossego.

Produto.

Instinto.

Sexo.

Espécie.

Sentimento.

Emoção.

Necessidade.

Interesse.

Etc.

Opiniões, conceitos vagos.

O que nos resta das experiências que denominamos amor além das vivências mesmas… irracionais, racionais, abstrações! ?

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Texto escrito por mim.

Livro: “Ensaios sobre o Amor e a Solidão” de Flávio Gikovate.

Em Livros, setembro 26, 2009 às 8:20 pm

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Neste livro, o autor nos apresenta novas definições de amor, do que chamamos amor-próprio, de narcisismo e, de forma clara e objetiva, propõe reflexões indispensáveis para quem deseja conhecer melhor sua subjetividade. Ele nos fala da separação entre amor e sexo e das consequências dessa não separação que não é feita pela psicanálise. Põe de lado o caráter ”sagrado” do amor romântico e elucida as necessidades e a incompletude que sentimos como o fator potencial para a busca da fusão romântica, em que o parceiro serve como paliativo para nossas necessidades, e nos mostra que, dessa forma, poucos são as relações interpessoais, ou seja, aquelas em que o outro é visto como um ser inteiro, individual, com necessidades e vida próprias, em que não apenas nossos interesses pessoais e vaidade se sobressaem mascarados nos ”eu te amo” da vida e até mesmo em atos generosos de muitas pessoas que com tais atos tornam seus próximos dependentes de seus favores, matendo-os presos a ela. Enxergando o amor como o sentimento de incompletude que nos faz buscar no outro uma possível solução para nossas necessidades , seria incoerente e sem sentido amar a si mesmo, e seria nossa sexualidade o que nos ”atrai” para nós mesmos, não o fenômeno amoroso.

Trata o sexo, estímulo sexual e sexualidade como um fenômeno exclusivamente pessoal e determinante para a construção de nossa imagem como seres individuais e inteiros, quando por meio da auto excitação nos percebemos como fonte de prazer nos primeiros anos de vida, nos desligando mais do que antes era nossa única fonte de prazer: a mãe. Essa excitação, com o passar do tempo não fica apenas ligada ao ato sexual e às zonas erógenas, mas se torna difusa e pode ser sentida a partir de realizações pessoais diversas.

O sentimento de incompletude e por outro lado nosso reconhecimento como individuos e não como uma fração, constitue um conflito interno, em que nossas lembranças do aconchego de nossas mães nos faz querer buscar no outro a completude ao mesmo tempo que gostamos de nossa individualide e buscar no outro a completude significa se reconhecer como incompleto, uma ofensa a nossa vaidade.

Para ele, assim como o amor é o paliativo para nossa incompletude, a vaidade é o remédio para nossa insignificância. Contudo, classifica a amizade e o +amor como relações efetivamente interpessoais, em que dois inteiros se unem numa relação em que ambos têm uma boa individuação, reconhecendo que ninguém poderá suprir esse sentimento de incompletude e que buscar no desenvolvimento pessoal aprendendo a conviver com a inevitável instabilidade dos elos, é o melhor caminho para a realização.

Trata o ciúme e seus fatores determinantes variados, que podem estar associados à questões puramente sexuais, afetivas, ou associados a sentimentos de caráter possessivo, inveja, etc.

“Por termos algumas dúvidas acerca de nosso efetivo valor como seres humanos, sempre podemos nos sentir ameaçados pelo risco de perda das pessoas que amamos. Tememos que elas encontrem, a qualquer momento, outro parceiro mais interessante e gratificante do que nós. (…)

O amor depende da admiração, de modo que uma queda na nota que recebemos provocará uma alteração negativa no sentimento do amado. Ou seja, a situação amorosa é vivida com uma instabilidade absoluta; os sentimentos poderão se alterar de uma hora para a outra. Essa é a razão pela qual aqueles que se amam gostam de ouvir várias vezes por dia a expressão ”eu te amo”. O ”eu te amo” de ontem não vale para hoje.

Esse é um pequeno esboço sobre algumas das questões abordadas no livro  que considerei mais significativas e um bom ponto de partida para se pensar as relações, pois o amor, e os sentimentos que o envolve ou mesmo que o desperta, é um conceito (ou seria um sentimento? ou uma emoção?) para ser realmente pensado e muito discutido por se tratar de um assunto que está longe de estar esgotado de explicações, fator que o próprio autor reconhece quando entitula seu livro de “ensaios”.

Recomendo a leitura.

Abraços!

Sobre ser ou sentir-se ofendido por alguém…

Em Pensamentos, setembro 23, 2009 às 10:09 pm

“Uma das formas de magoar alguém consiste em boicotar sua auto-estima com comparações e frases sarcásticas e tiranas. Ele vai se entristecendo, silenciosamente a cada aquiescência, tecendo a teia em que ele mesmo se perderá.

Noutras vezes, ele grita, despeja os dejetos de sua alma estropiada, em ofensas que buscam responder às grosserias que o agridem.

Assim também ele se perde. Perde-se de si mesmo.”

(Texto escrito originalmente por Alena Cairo em: 12 Março, 2009, escrito aqui com algumas modificações feitas por mim.)

Por mais que se fale em estima por si mesmo, não acredito que esta anule as fragilidades, os sentimentos e as inseguranças em relação a nós mesmos e às outras pessoas que adquirimos ao longo de nossas vivências. As experiências nos ensinam a lidar melhor com as adversidades e podem nos tornas menos vulneráveis à emoções ruins, mas a fragilidade, enquanto resultado de nossa condição de seres finitos, sociais e carentes de conhecimento sobre nossa psique, de uma forma ou outra existirá.

Para mim, os indivíduos menos honestos consigo e com os outros são os que se dizem invulneráveis à ofensas e isentos de “sentimentalismos“. Penso que o discurso dos que assim se classificam não passa de mera sublimação. Até que ponto um ser humano consegue verdadeiramente lidar com o isolamento e a renúncia a qualquer tipo de afetividade e interferência da ação de outros em sua vidas?

“Eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca” (Simone de Beauvoir)


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